Não é o do conto da Clarice. O jornal O Búfalo nunca chegou a publicar meus textos, por obra de uma editora irresponsável (tsc, tsc). De tanto reclamarem, resolvi postá-los aqui, mesmo os avisando que permaneceriam anônimos. Os primeiros três são adaptações de formatos consagrados à realidade santacruzense: um poema de Drummond, uma cena de Choque de Cultura e um miniconto de amor. O último... ah, gracejo, e só.
1. "Drummond na aula de física"
João,
que copiou de Marcos,
que copiou de Dora,
que copiou de Laura,
que copiou de Sofia,
que copiou de Paulo,
que tirou foto da apostila do ano passado
2. "Choque de Cultura analisa o grêmio"
(passando o VT de uma reunião do grêmio)
Rogerinho: Eu só não entendo esse monte de cadeira vazia e o pessoal sentando em cima da mesa!
Maurílio: Isso aí acontece, Rogerinho, porque quando a pessoa senta em cima da mesa, ela automaticamente ganha mais anos de maturidade, e pode falar qualquer merda que todo mundo vai achar inteligente (sorri pra câmera)
Julinho: E comé que a pessoa fica mais velha do nada, animal?!?
Maurílio: Ao sentar em cima da mesa, o aluno desenvolve escoliose rapidamente, destruindo completamente sua coluna. E, como todo mundo sabe, não tem nada mais velho do que uma boa escoliose
Renan: Issfo aí é um absurdo, ò, Rogerinho! A pessoa, vendo que o velho tem o DIREITO de poder falar qualquer coisa sem ser questionado, tenta virar velho também!
Rogerinho: Ninguém respeita mais a conquista do velho, Renan!
3. "Amor à primeira vista: um miniconto de amor santacruzense"
Foi no primeiro cair das folhas do outono. Trocaram olhares amantes, fugidios, encontro eterno de um piscar envergonhado. Souberam de imediato que aquele instante fora mágico, o princípio de um sonho que os bateria na porta todas as noites. Sob as estrelas que brilhavam no céu de veludo, as duas almas pincelavam um futuro em comum: futuro áureo, selado por mãos dadas e palavras apaixonadas. Mas, para que se chegasse ao futuro, haveria de ter um meio... um ato de coragem dos heróis! Foi ele quem deu o primeiro passo em direção ao amor; mesmo com o rubor das paixões, decidiu reencontrar o ímã de seu olhar. Ao avistá-la, o coração entrou em disparada. Partiu às duras penas, mas irrefreável como um corcel em fuga. As batidas na boca e o paraíso nos olhos. Com a coragem que restara, disse afinal: "Que eletiva cê faz?"
(Belém, Israel. Dia 25/12 do ano 0. Noite, manjedoura)
-Jesus nasceu!
-Deus é pai.
Fecham as cortinas.
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